Foto de Orelha-de-coelho (Opuntia microdasys)
Foto: Stan Shebs · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Cactaceae · Opuntia

Orelha-de-coelho

Opuntia microdasys

Também conhecida como: Palma-orelha-de-coelho, Opúntia-de-bolinhas, Cacto-coelho

Sinônimos botânicos: Cactus microdasys

Orelha-de-coelho (Opuntia microdasys): cacto de raquetes com pontinhos dourados. Aprenda a cultivar, regar e manusear os gloquídios com segurança.

Outra aleatória
FamíliaCactaceae
DificuldadeFácil
CrescimentoMédio
FloraçãoPrimavera, Verão
Temp. mínima0 °C

Visão geral

A orelha-de-coelho conquistou espaço nas casas brasileiras pela forma simpática de suas raquetes, que brotam aos pares e lembram as orelhas de um coelho. Em vez de espinhos longos, a planta exibe pontinhos regularmente distribuídos, como bolinhas de veludo amarelo ou branco. A aparência inofensiva engana: cada pontinho é formado por centenas de gloquídios, cerdas minúsculas e farpadas que se soltam ao menor toque e grudam na pele. Conhecendo esse detalhe, é um cacto fácil, resistente e de crescimento rápido, ótimo para varandas ensolaradas e jardins de pedra.

Características

O corpo é formado por cladódios, as chamadas raquetes, ovais ou arredondados, de 6 a 15 cm de comprimento, verde-médio e aveludados. Não há espinhos verdadeiros; as aréolas, densas e próximas, carregam tufos de gloquídios amarelo-dourados no tipo e brancos na variedade albispina, muito comercializada. Novas raquetes brotam das bordas das antigas, formando um arbusto ramificado e ereto que, em vaso, raramente passa de 60 cm. Raquetes velhas ficam mais escuras e podem lignificar na base. A espécie é frequentemente confundida com a Opuntia rufida, de gloquídios castanho-avermelhados.

Origem e habitat

Origem: Norte e centro do México (Deserto de Chihuahua)

A Opuntia microdasys ocorre no Deserto de Chihuahua e em áreas semiáridas do centro-norte do México, em planícies e encostas pedregosas entre 600 e 2.000 metros de altitude. O sol é intenso o ano todo, as chuvas caem quase só no verão e as noites de inverno podem ser frias. A planta cresce em solos pobres, rasos e bem drenados, armazenando água nas raquetes. Por isso exige sol abundante, substrato arenoso e muito pouca água no inverno.

Iluminação

Sol pleno

É uma planta de sol pleno: quanto mais horas de sol direto, melhor, com mínimo de 5 a 6 horas por dia. Ao sol, as raquetes ficam compactas e os pontinhos bem marcados. Com pouca luz, as raquetes novas nascem estreitas, alongadas e moles, o caule tomba e a planta perde a forma de “orelhas”. Plantas compradas em loja devem ser aclimatadas em uma ou duas semanas para evitar manchas amareladas de queimadura. Dentro de casa, só ao lado de janela muito ensolarada.

Aprofunde-se: Luz e estiolamento

Rega

Rega rara (2–3 semanas)
Resistência à seca: alta

Regue bem e espere o substrato secar completamente antes da próxima rega, o que dá cerca de uma vez a cada 15 dias na primavera e no verão, conforme o calor. Do outono ao fim do inverno, reduza para uma rega leve mensal; em locais frios, suspenda. Raquetes murchas e enrugadas indicam falta de água e recuperam o volume após a rega. Manchas moles, escuras ou amareladas na base das raquetes indicam excesso e início de podridão.

Aprofunde-se: Como regar suculentas

Solo e vaso

Misture 1 parte de terra vegetal, 1 parte de areia grossa lavada e 1 parte de pedrisco ou perlita, acrescentando um pouco de casca de arroz carbonizada. Use vaso de barro pesado, com furo de drenagem, porque a planta fica alta e pode tombar em vasos leves de plástico. Em canteiros, plante em área elevada e arenosa, onde a água da chuva não acumule.

Aprofunde-se: Substrato e vasos para suculentas

Propagação

Métodos: estaca, sementes.

Raquetes enraízam com muita facilidade. Na primavera ou no verão, destaque uma raquete inteira na articulação, usando pinça grossa, alicate ou jornal dobrado para não tocar nos gloquídios. Deixe-a secar à sombra por 5 a 7 dias até cicatrizar e enterre apenas 1 ou 2 cm da base em substrato arenoso seco, apoiada em pedras. Regue levemente após uma semana. Em 3 a 4 semanas a raquete estará firme e logo brotará.

Aprofunde-se: Propagação: folhas, estacas, rebentos e sementes

Crescimento e tamanho

Crescimento médio

Porte adulto: Arbusto de 40 a 60 cm em vaso; até 1 m no solo.

Na primavera e no verão, com calor e sol, cada raquete pode produzir duas ou mais novas por estação. É uma planta de verão e fica praticamente parada no inverno. Em poucos anos forma um arbusto ramificado e pesado; podas de raquetes ajudam a manter o formato e o equilíbrio do vaso.

Floração

Época no Brasil: Primavera, Verão · Cor: Amarelo-limão

JanFevMarAbrMaiJunJulAgoSetOutNovDez

As flores, amarelo-limão, com cerca de 4 a 5 cm, nascem nas bordas das raquetes maduras e atraem abelhas. Depois podem formar frutos arroxeados, também cobertos de gloquídios. Em vasos e em ambientes com pouca luz, a floração é rara; plantas grandes, cultivadas em sol pleno e com inverno seco, florescem com mais regularidade.

Cuidados essenciais

Indicada para cultivo externo, especialmente em varanda, jardim externo.

  • Manuseie sempre com luvas de couro ou pinça grossa: os gloquídios atravessam luvas de tecido fino.
  • Para remover gloquídios da pele, use fita adesiva larga ou uma camada de cola branca, deixe secar e retire; não esfregue.
  • Não coloque o vaso em locais de passagem, perto de cortinas ou onde animais e crianças possam encostar.
  • Use vasos de barro pesados ou com pedras no fundo para evitar que a planta tombe com o peso das raquetes.
  • Pode as raquetes que crescem desequilibradas na primavera e aproveite-as como mudas.
  • Evite borrifar água sobre a planta, pois o acúmulo nas aréolas favorece manchas fúngicas.

Temperatura

Adora o calor brasileiro e tolera frio seco próximo de 0 °C; geadas repetidas e frio úmido danificam as raquetes, por isso no Sul ela deve ficar protegida em noites muito frias.

Pets e crianças

Não é considerada tóxica, mas os gloquídios causam forte irritação na pele, nos olhos, na boca e nas patas de cães, gatos e crianças, por isso mantenha a planta fora do alcance.

Problemas comuns

SintomaCausa provávelSolução
Raquetes novas finas, compridas e pendentesFalta de sol diretoLeve gradualmente para um local de sol pleno e remova as raquetes deformadas para estimular brotações compactas.
Manchas marrons ou pretas, moles, que avançam pela raquetePodridão por excesso de água ou fungos após chuvasCorte a raquete afetada bem abaixo da mancha, deixe a planta secar e reduza a rega; se a base estiver podre, enraíze raquetes sadias.
Placas brancas cerosas ou algodonosas nas raquetesCochonilhas, incluindo a cochonilha-do-carmim (Dactylopius)Remova com escova macia e água com sabão neutro ou álcool 70%, repetindo semanalmente até eliminar os focos.
Raquetes enrugadas e opacasDesidratação após longo período sem rega no calorRegue abundantemente; a planta recupera o turgor em poucos dias.

Aprofunde-se: Pragas e doenças: cochonilha, pulgão, fungos e podridão

Curiosidades

  1. O nome “microdasys” vem do grego e significa “pequeno e peludo”, referência aos tufos densos de gloquídios.
  2. Os gloquídios possuem farpas microscópicas voltadas para trás, que os prendem à pele e dificultam a remoção.
  3. O gênero Opuntia inclui a palma-forrageira (Opuntia ficus-indica), muito usada como alimento de gado no semiárido nordestino.
  4. Em vários países, como Austrália e África do Sul, espécies de Opuntia se tornaram invasoras, e algumas tiveram o cultivo restringido.

Perguntas frequentes

Orelha-de-coelho tem espinho?

Não tem espinhos longos, mas cada pontinho amarelo ou branco é um tufo de gloquídios, cerdas minúsculas e farpadas que se soltam ao toque e grudam na pele. Elas causam coceira e irritação, por isso a planta deve ser manuseada com luvas grossas ou pinça.

Como tirar espinho de orelha-de-coelho da pele?

Não esfregue a região. Aplique fita adesiva larga e puxe, repetindo várias vezes, ou espalhe uma camada fina de cola branca, deixe secar e retire como película. Os restantes podem ser retirados com pinça e lupa. Se houver irritação persistente nos olhos, procure atendimento.

Orelha-de-coelho pode ficar dentro de casa?

Só se ficar ao lado de uma janela com várias horas de sol direto. Em ambientes internos com pouca luz, as raquetes novas nascem finas e alongadas e a planta tomba. Além disso, os gloquídios se soltam com facilidade, então ela deve ficar longe de áreas de circulação.

As informações desta ficha têm caráter educativo e consideram as condições médias de cultivo no Brasil. Clima local, vaso e substrato alteram a frequência de rega e a exposição ideal — observe sempre a resposta da sua planta. Última revisão: 05/10/2026.